CONTRA A “FALÊNCIA DA PRISÃO”: UM PERCURSO INTERPRETATIVO A PARTIR DO CRESCIMENTO DO SISTEMA PRISIONAL PAULISTA

Felipe Athayde Lins de Melo

Resumo


Partindo de uma revisão bibliográfica e de uma inserção etnográfica no campo de pesquisa, este texto apresenta um percurso interpretativo acerca do crescimento do sistema prisional paulista e das múltiplas funções que, nas sociedades contemporâneas, são atribuídas à prisão. Sua finalidade principal é argumentar contra a tese, amplamente difundida na mídia e em trabalhos acadêmicos, de que a prisão é uma “instituição falida”. Supostamente ancorada na obra Vigiar e Punir, de Michel Foucault, a tese da falência da prisão desconsidera tanto o crescimento do sistema prisional, quanto a genealogia foucaultiana acerca do surgimento e das reformas da prisão. O sistema prisional paulista é tomado como ponto de inflexão em decorrência de sua importância política e econômica no cenário nacional, bem como em razão de seu crescimento vertiginoso ao longo dos últimos anos. 


Palavras-chave


prisão; sistema prisional paulista; sociologia da punição

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